sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

Valkyrie


Valkyrie relata os eventos verídicos da 15ª tentativa de assassinar Hitler, planeada e executada pelo coronel Claus von Stauffenberg (Tom Cruise).
Ao ver a guerra a ser perdida e envergonhando-se dos actos praticados pelos a mando de Hilter, o coronel Stauffenberg apercebia-se que algo tinha de ser feito para não deixar a imagem que a Alemanha era à imagem de Hitler. Após ter sido gravemente ferido em combate, perdendo a mão direita, dois dedos da mão esquerda e o olho esquerdo, Stauffenberg junta-se à Resistência Alemã para planearem uma forma de assassinarem o Führer e conseguirem dominar as SS e Gestapo. Como a História nos diz, devido a diversos pequenos pormenores, esta tentativa falhou.
Bryan Singer traz-nos uma atmosfera de tal forma envolvente que nos leva a pensar que de facto Hitler pode vir a morrer. Não confundir esta envolvência com emocionalidade, porque este filme tem muito pouco de emocional. Apesar da aparição em breves espaços da família do Coronel Stauffenberg, esta apenas serviu para mostrar a determinação de um soldado para seguir a sua missão.
O enredo centra-se todo à volta volta de Stauffenberg e por isso Tom Cruise está sempre em cena. Sem deslumbrar, mas também sem comprometer Tom Cruise consegue dar credibilidade ao coronel e às suas debilidades físicas, emprestando-lhe a aura de herói que o acompanha de outros trabalhos. Nota de destaque também para o restante elenco, maioritariamente britânico, dos quais destaco Kenneth Branagh (Major-General Henning von Tresckow), Bill Nighy (General Friedrich Olbricht), Tom Wilkinson (General Friedrich Fromm), Tom Hollander (Coronel Heinz Brandt), Carice van Houten (Nina von Stauffenberg) e David Bamber (Adolf Hitler).
De realçar também o cenário que recria condignamente a Alemanha nazi da 2ª Guerra Mundial, provocando o contraste entre o cinzento dos edifícios e o vermelho/preto das bandeiras com as suásticas.
Concluindo, quem pretende ver um filme centrado nas batalhas 2ª Guerra Mundial aconselho a verem outro filme. Para aqueles que quiserem entrar nos meandros da conspiração penso que não se vão desiludir com este filme.

3.5/5





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domingo, Agosto 31, 2008

The Happening (2008)

E se de repente as pessoas começassem a cometer suicídio em massa, sem razão aparente? É esta a base de desenvolvimento para The Happening.
M. Night Shyamalan apresenta-nos este espécie de eco-thriller-psicológico, onde as plantas decidem que os seres humanos são uma ameaça e induzem-lhes o suicídio. A verdade é que a ideia foi muito mal implementada, levando-nos, por vezes, a crer que se trata de uma comédia, ora pelas interpretações ridículas de Mark Wahlberg e Zooey Deschanel, ora pelo próprio argumento.
Devo confessar que não sou particular fã de Shyamalan, o único filme digno de algum destaque é o Unbreakable (apesar de não ter visto o The Village nem o Lady In The Water). Apesar disso sempre lhe reconheci mérito na escolha dos actores para as suas personagens, por isso não sei que qualidades ele viu em Mark Wahlberg para que este desempenhasse um professor de ciências. Para além disso, consegue a proeza de ter uma única expressão facial para qualquer tipo de situação.
Como pontos positivos, para além da já referida ideia do filme, temos a imaginação de M. Night Shyamalan para arranjar diferentes métodos de suicídio e uma velhota (Betty Buckley) que proporciona dos melhores momentos do filme.
Penso que os fãs de M. Night Shyamalan poderão encontrar algo mais neste filme do que eu, mas duvido seriamente que alguém no seu perfeito juízo consiga dizer que é um bom filme.


2/5





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quinta-feira, Agosto 07, 2008

Hancock (2008)


Hancock relata a vida de um super-herói, John Hancock (Will Smith), que é desastrado nos seus salvamentos,o que leva a que as pessoas não o apreciem provocando-lhe um comportamento anti-social. Hancock acaba por salvar Ray Embrey (Jason Bateman), um relações públicas idealista que, como forma de agradecimento, decide ajudá-lo a mudar a sua imagem pública.
Will Smith apresenta-se em grande estilo com uma personagem descontraída e humorística que lhe assenta perfeitamente, um pouco ao estilo do que fez em Bad Boys, Men In Black ou Independence Day.
Charlize Theron tem também um papel central neste filme, mas apesar de ser sempre linda de ver no grande ecrã não convence inteiramente na personagem que desempenha, falta-lhe um je ne sais quoi.
Hancock como um típico blockbuster não desilude, apresentando ao espectador uma mistura de sequências de efeitos especiais e humor bem conseguidos. O argumento é bem delineado contendo algumas surpresas pelo meio, apesar de poder ter sido melhor explorado em alguns aspectos.
Este filme é como um menu Big King no Burger King. Os hamburguers e as batatas fritas são melhores do que no McDonald's, foi uma refeição que nos soube bem, mas passado pouco tempo após termos comido já estamos novamente com fome. É precisamente o que se passa com Hancock. É um filme que se vê bem, saimos satisfeitos do filme, mas não enche completamente a barriga. Contudo, enquanto o estivemos a "comer" soube bem e isso é o mais importante.

3.5/5




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quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Rambo (2008)

«O triunfo da Razão. John Rambo leva-nos numa viagem de montanha-russa de emoções. Será errado sentir a quente chama da justiça no coração quando um pelotão de criminosos se vê mutilado por balas errantes, quais sílabas da nobre palavra de Deus? Não. Isso e tem sangue, lol!» by Paulo Gomes

Em Rambo temos um John Rambo (Sylvester Stallone) mais velho, amargurado e desiludido com o mundo, o qual é contratado por um grupo de missionários para os levar à Birmânia. Apesar de relutante é convencido por Sarah Miller (Julie Benz) a aceitar a missão. Poucos dias após os ter deixado na Birmânia, Rambo é contactado novamente para levar uma equipa de mercenários para resgatarem os missionários, os quais tinham sido raptados pelas forças militares birmanesas num ataque a uma aldeia. É então que o "antigo" Rambo acorda...

«Isto é muito à anos 80». Esta foi a frase que um amigo meu referiu sobre o facto de termos apanhado com um intervalo a meio do filme, mas a verdade é que também se coaduna inteiramente ao próprio filme. Os Rambo anteriores foram lançados na década de 80 e este agora faz inteiramente jus ao estilo de filme de acção da altura. Sangue, balas, cabeças a explodir, corpos esmigalhados é coisa que não falta em Rambo e como tal é um dos melhores filmes de acção pura e dura dos últimos tempos.
Rambo peca um pouco no tamanho do filme (na minha opinião demasiado pequeno) e pela pouca "caça furtiva", principalmente nos dois primeiros filmes via-se Rambo a esconder-se pela floresta/selva e a matar furtivamente os seus alvos.
Sylvester Stallone demonstra também um sentido político ao "tomar as dores" do povo birmanês neste filme, mostrando as barbáries cometidos pelo governo militar de Myanmar (antiga Birmânia) contra o povo (o exemplo disso foi a repressão contra os monges budistas no ano passado).
Concluindo, pode-se afirmar que John Rambo, apesar da idade e das muitas cicatrizes, ainda vive.

4/5



Entrevista a Sylvester Stallone:

sábado, Fevereiro 02, 2008

Cloverfield (2008)

Cloverfield conta a história de uma câmara de filmar.
Dito desta forma talvez pareça um pouco estranho, mas a realidade é que a personagem principal deste filme é a própria câmara de filmar (e a respectiva cassete). É óbvio que temos um monstro a destruir coisas e a matar pessoas e que nos faz ter um certo sorriso sádico [spoiler: é sempre bonito ver a cabeça da Estátua da Liberdade rolar]. Também é óbvio que temos os "transportadores" da câmara e a sua luta pela sobrevivência. Apesar disso é a cassete que liga os personagens com o monstro e com o próprio espectador. É quase como se o espectador fosse o cameraman daquela aventura, o que nos torna parte integrante da acção.
O principal problema de Cloverfield é que, para além de misturar War Of The Worlds com Godzilla, incorre em vários clichés deste tipo de filmes. Outro problema é a visualização do monstro. Eu pessoalmente tenho uma certa azia quando monstros/aliens/criaturas-altamente-estranhas se mostram na totalidade ao espectador, mesmo que estejam muitíssimo bem feitas, como é o caso. Filmes em que a figura do monstro não acrescenta nada ao espectador e que a mesma está envolta em mistério grande parte do filme acho sempre preferível deixar uma certa névoa de desconhecimento que permita à nossa imaginação completar os espaços.
A mão de J.J. Abrams é notória, em especial pelos flashbacks tão característicos em Lost e que aqui é apresentada através de pequenos pedaços de fita que não foram regravados pela acção actual. É também notória através do mistério que foi o aparecimento das primeiras informações do filme e das várias teorias que levantou e ainda levanta. Ao bom estilo de Lost, é "fazer render o peixe" deixando vários caminhos em aberto para que possam ser seguídos mais tarde.
Cloverfield é um bom filme, talvez não tão espectacular nem tão horrível como muitos afirmam (apesar de serem opiniões que devem ser respeitadas), mas merece ser visto no cinema ou então com um bom sistema de home cinema devido à importância do som na atmosfera do filme.

3.5/5


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quarta-feira, Janeiro 02, 2008

Top 10 - Álbuns 2007

Finalizado o ano de 2007 ficam as minhas escolhas do melhor que ouvi durante o ano transacto.

01. Maxïmo Park - Our Earthly Pleasures

02. Architecture In Helsinki - Places Like This

03. Good Shoes - Think Before You Speak

04. V.A. - Spider-Man 3: Music from and Inspired By

05. Novembers Doom - The Novella Reservoir

06. The Brunettes - Structure and Cosmetics

07. Bella - No One Will Know

08. The Twilight Sad - Fourteen Autumns & Fifteen Winters

09. The Ladybug Transistor - Can't Wait Another Day

10. Arctic Monkeys - Favourite Worst Nightmare

sexta-feira, Dezembro 07, 2007

Beowulf (2007)

Beowulf transpõe para o cinema, sob o formato 3D, uma adaptação do poema épico de mesmo nome que conta os feitos e infortúnios do mais valente dos vikings. Em resposta ao pedido do rei Hrothgar (Anthony Hopkins), Beowulf (Ray Winstone) chega à Dinamarca para derrotar Grendel (Crispin Glover), um ser meio-humano, meio-demónio que lhe atormenta o reino e o pensamento. Não imaginava Beowulf que os seus problemas não acabariam com a morte do demónio, pois sobre ele recairia a maldição suportada pelo rei, levando-o ao inevitável encontro com a mãe de Grendel (Angelina Jolie). O seu tempo de glória viria mais tarde a confundir-se com o seu declínio enquanto líder, guerreiro e principalmente enquanto homem.

Ao contrário do que poderá sugerir à partida, a recriação tridimensional das personagens não deixa de fazer transparecer as magníficas interpretações de actores como John Malkovich enquanto Unferth, o comandante das tropas do rei, Brendan Gleeson como Wiglaf, o braço-direito de Beowulf ou Robin Wright Penn como Wealthrow, a rainha, tendo permitido inclusivamente a adaptação de certos aspectos reais destes ao resultado pretendido. Veja-se o caso de Ray Winstone no papel de Beowulf.

Por outro lado, Beowulf peca por se focar demasiado nos momentos de conflito e deixar muito por contar. É certo que o desenvolvimento em CGI é por si só um apelo à espectacularidade, mas fica a sensação de que estes momentos necessitavam de maior enquadramento. A este facto associa-se o, para muitos escandaloso, afastamento da história que o realizador Robert Zemeckis imprimiu ao filme face ao poema original, algo apenas perdoável para quem considerou o filme uma obra independente ou simplesmente não teve acesso à obra literária.

Beowulf não é um filme de animação 3D como os que nos habituámos a receber de estúdios como a Pixar ou Dreamworks. O seu cariz adulto e acção visceral associados ao tema dos grandes épicos preenchem uma lacuna presente nos cartazes de cinema mais recentes. Poderá não ser um dos candidatos aos Óscares do próximo ano, até porque se insere numa categoria algo ambígua, mas é sem dúvida uma boa peça de entretenimento.

Apesar de não dispormos por cá de cinemas equipados com IMAX 3D, Beowulf pode ser visto em algumas salas em "verdadeiro 3D" com o recurso ao sistema Real D e o seu par de óculos polarizados. Dado o aumento da experiência imersiva introduzido por este sistema, não existem razões para não ver Beowulf no formato para o qual foi pensado, a não ser o talvez exagerado acréscimo no valor do bilhete.

4/5

Trailer: